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A globalização e a enorme velocidade da informação padronizam modos de vida, com mudanças de hábitos semelhantes em todo o mundo, criando um padrão alimentar inadequado e cada vez mais associado à inatividade física. O Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, passa por um período de transição epidemiológica que se caracteriza por uma mudança no perfil dos problemas relacionados à saúde pública, com predomínio das doenças crônicas não-transmissíveis (doenças cardíacas, diabetes, obesidade, câncer), embora as doenças transmissíveis ainda desempenhem um papel importante.

Essa transição vem acompanhada de modificações demográficas e nutricionais, com os índices de desnutrição cada vez menores e a obesidade atingindo proporções epidêmicas. Nos países desenvolvidos, vem aumentando a prevalência do sobrepeso e da obesidade não só na população adulta como também em crianças e adolescentes.

Dados de estudos epidemiológicos recentes sugerem que 31,5% das crianças norte-americanas apresentam excesso de gordura corporal. Entre 1973 e 1994, o peso corporal já mostrava tendência de aumento da ordem de 0,2 kg/ano. No Brasil, repete-se o modelo da prevalência mundial, como revela a segunda etapa da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na qual se constatou excesso de peso em 40,6% da população adulta brasileira. Na faixa etária pediátrica, estudos nacionais demonstram prevalências de excesso de peso que variam entre 10,8% e 33,8% em diferentes regiões.

Fatores Relacionados ao Ganho de Peso Excessivo

Fatores Genéticos e Ambientais

A obesidade é resultante da ação de fatores ambientais (hábitos alimentares, atividade física e condição psicológica) sobre indivíduos predispostos geneticamente a apresentar excesso de tecido adiposo. Quando há obesos na família, a chance de a criança desenvolver obesidade é muito maior; esse aspecto é importante para o processo de prevenção, em que os pais devem ser alertados para esse risco. Quando pai e mãe são obesos, a chance de a criança se tornar obesa é de 80%, e quando apenas um dos pais tem o problema a chance é de 40%.

O aumento do sedentarismo, excesso de ingestão de doces e gorduras, substituição de proteínas vegetais por animal e baixo consumo de fibras são os principais fatores ambientais responsáveis pelo aumento da obesidade.

Atividade Física

As atividades físicas realizadas na escola e as brincadeiras desenvolvidas em casa contribuem para a regulação do peso corporal. O tempo em que a criança assiste televisão apresenta-se como variável indicadora de inatividade física e com influência no aumento da prevalência de obesidade. A atividade física contribui para melhorar o perfil lipídico e metabólico, reduzir a prevalência de obesidade, assim como favorecer o aumento de massa óssea, principalmente quando envolve impacto, podendo reduzir o risco de aparecimento de osteoporose em idade mais avançada.  

Padrão Alimentar

O consumo alimentar tem sido relacionado à obesidade não somente quanto ao volume da ingestão, mas também quanto a composição e a qualidade da dieta. Além disso, os padrões alimentares também mudaram: houve diminuição do consumo de frutas e hortaliças, aumento do consumo de guloseimas e refrigerantes, e aumento de lipídios, gorduras saturadas e açúcar; o que explica em parte o contínuo aumento da adiposidade nas crianças.  

Repercussões da Obesidade

Um ponto relevante sobre a prevalência da gordura corporal excessiva na infância refere-se à precocidade com que podem surgir efeitos danosos à saúde, além das relações existentes entre obesidade infantil e sua persistência até a vida adulta. O excesso de adiposidade está associado a alterações dos fatores de risco para doenças cardiovasculares e aumento de glicemia nas crianças. Nas formas graves pode causar surtos de sono durante o dia e apnéia do sono à noite. Também pode haver alterações posturais funcionais como complicações ortopédicas nos joelhos, quadril e coluna vertebral.  

Prevenção da Obesidade Infantil

Prevenir a obesidade na infância é a maneira mais segura de controlar essa doença crônica grave, que pode se iniciar já na vida intra-uterina. A importância de prevenir a obesidade na infância decorre de sua associação com doenças crônicas não transmissíveis no adulto, que podem se instalar desde a infância. 

 

É muito importante lembrar:

  • Avaliar e monitorar o ganho ponderal e a velocidade de crescimento estatural da criança (é fundamental a vigilância do crescimento, preenchendo-se periódica e regularmente a curva de crescimento), a fim de verificar de forma precoce o comportamento do canal de crescimento.
  • Estimular o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e complementar até os dois anos de idade, pois é sabido que a introdução de alimentos complementares de maneira inadequada está fortemente associada ao ganho de peso excessivo nos bebês.
  • Ter atenção aos sinais de saciedade do lactente, como parar de mamar, fechar a boca, desviar a face, brincar com o mamilo ou mordê-lo, dormir.
  • Reconhecer e aceitar a saciedade da criança maior, sem impor ou exigir a ingestão total ou excessiva de alimentos. Não se deve forçar uma ingestão excessiva, pois a criança saudável tem plena capacidade de auto-regular sua ingestão.
  • Estimular o consumo regular de frutas, verduras e legumes, sem chantagens ou ameaças.
  • Estabelecer os horários das refeições (colocando limites), não pular refeições nem substituí-las por lanches (deve haver um intervalo regular entre elas de 2 a 3 horas).
  • Mastigar bem os alimentos, realizar as refeições em ambiente calmo e com a televisão desligada.
  • Limitar o consumo de alimentos de elevado teor calórico, como salgadinhos, doces, frituras e refrigerantes. Os pais atuam como modelos para as crianças, especialmente para as pequenas, que tendem a imitá-los; por isso os hábitos alimentares saudáveis precisam ser adotados por toda a família.
  • Estimular e orientar o lazer ativo de acordo com as diversas faixas etárias, respeitando-se as preferências da criança. Os bebês devem ser estimulados a engatinhar e andar; os escolares devem passear ao ar livre, andar de bicicleta, jogar bola, correr, brincar com o cachorro, pular corda.
  • Limitar o tempo de lazer passivo a no máximo duas horas por dia, controlando os horários de TV, computador e videogame.
  • Na Escola deve haver inserção da Educação Nutricional no currículo escolar, assim as crianças aprendem a ter bons hábitos de vida que se manterão quando adultas.

 

Samira Carvalho Gonçalves 
Nutricionista CRN2 9305

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