noticia 001

Os primeiros anos de vida de uma criança, especialmente os dois primeiros, são caracterizados por crescimento acelerado e enormes aquisições no processo de desenvolvimento, incluindo habilidades para receber, mastigar e digerir outros alimentos, além do leite materno, e no autocontrole do processo de ingestão de alimentos, para atingir o padrão alimentar cultural do adulto. Essas considerações podem ser confirmadas quando observamos que uma criança cresce, em média, 25 cm no primeiro ano de vida e 12 cm no segundo ano, passando, a partir dos 3 anos, a crescer de 5 a 7 cm por ano. Associado a esse crescimento físico, a criança vai adquirindo capacidades psicomotoras e neurológicas que podem ser observadas a cada mês.

Esse processo é rápido, de modo que, dos 4 aos 5 meses de idade a criança já sustenta a cabeça e com 6 meses é capaz de sentar-se sem apoio. Assim torna-se inquestionável a importância da alimentação da criança nessa fase, uma vez que deficiências nutricionais ou condutas inadequadas quanto à prática alimentar podem, não só levar a prejuízos imediatos na saúde da criança, elevando a morbi-mortalidade infantil, como também deixar sequelas futuras como retardo de crescimento, atraso escolar e desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (como obesidade, diabetes, hipertensão, entre outras).

  • Passo 1: Dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento.
    O leite materno contém tudo que o bebê necessita até o 6° mês de vida, inclusive água. Assim, a oferta de chás, sucos e água é desnecessária e pode prejudicar a sucção do bebê.
  • Passo 2: A partir dos 6 meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. A partir dos 6 meses, as necessidades nutricionais da criança já não são mais atendidas só com o leite materno e a criança já apresenta maturidade fisiológica e neurológica para receber outros alimentos. É muito importante que a criança receba água nos intervalos das refeições. No início, a quantidade ingerida pode ser pequena, pois tudo é novo: a colher, a consistência e o sabor. Aos poucos a quantidade ingerida tende a aumentar.
  • Passo 3: Após 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança estiver em aleitamento materno.
    A papa salgada deve conter um alimento do grupo dos cereais ou tubérculos, um dos legumes e verduras, um do grupo de origem animal (frango, boi, peixe, miúdos, ovos) e um das leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão de bico). A partir do momento que a criança começa a receber qualquer outro alimento, a absorção do ferro do leite materno reduz significativamente; por esse motivo a introdução de carnes, vísceras e miúdos, mesmo que seja em pequena quantidade, é muito importante.
  • Passo 4: A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança.
    O intervalo entre as refeições deve ser regular (2 a 3 horas), o tamanho da refeição está relacionado positivamente com os intervalos entre as refeições. É importante distinguir a sensação de fome daquelas causadas por outros fatores como sede, incômodo causado por fraldas sujas e molhadas, calor ou frio, necessidade de carinho e presença da mãe/pai. Geralmente há uma expectativa muito maior sobre a quantidade de alimentos que as crianças necessitam comer, logo são desaconselháveis práticas de gratificação (prêmio) ou coercitivas (castigo) para conseguir que as crianças comam. Algumas crianças precisam ser estimuladas a comer, nunca forçadas.
  • Passo 5: A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher, iniciar com a consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.
    As refeições, quanto mais espessas e consistentes, apresentam maior densidade energética (caloria/grama de alimento), comparadas com as dietas diluídas, do tipo sucos e sopas ralas. Como a criança tem a capacidade gástrica pequena e consome poucas colheradas no início da introdução dos alimentos complementares, é necessário garantir o aporte calórico com papas de alta densidade energética. A introdução da alimentação complementar espessa vai estimular a criança nas funções de lateralização da língua, no reflexo de mastigação, no desenvolvimento da musculatura facial e na capacidade de mastigação. Os alimentos devem ser amassados com garfo, a utilização de liquidificador e de peneira é contraindicada, porque a criança está aprendendo a distinguir a consistência, sabores e cores dos novos alimentos. Além do que, os alimentos liquidificados não vão estimular o ato da mastigação.
  • Passo 6: Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia.
    Uma alimentação variada é uma alimentação colorida. A refeição deve ser variada e colorida, com frutas e verduras da estação. A cada dia a papa deve ter diferentes alimentos. A papa sempre deve ter alimentos de variados grupos alimentares, a carne deve sempre estar presente.
  • Passo 7: Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.
    As frutas devem ser oferecidas in natura, amassadas, ao invés de sucos. O consumo de suco natural deve ser limitado e, se for oferecido, em pequenas quantidades, após as refeições principais, pois possuem menor densidade energética que a fruta em pedaços. As refeições principais (almoço e janta) não devem ser substituídas por bebida láctea quando ocorre a recusa pela criança, substituição que quando frequente pode causar anemia e excesso de peso. São necessárias oito a dez exposições a um novo alimento para que ele seja aceito pela criança. No primeiro ano não se recomenda que os alimentos sejam muito misturados, porque a criança está aprendendo a conhecer novos sabores e texturas dos alimentos.
  • Passo 8: Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida.
    Usar sal com moderação. Já foi comprovado que a criança nasce com preferência para o sabor doce, no entanto, a adição de açúcar é desnecessária e deve ser evitada nos dois primeiros anos de vida. Essa atitude vai fazer com que a criança não se desinteresse pelos cereais, verduras e legumes, aprendendo a distinguir outros sabores. Até completar um ano de vida, a criança possui a mucosa gástrica sensível e, portanto, as substâncias presentes no café, chás, mate, enlatados e refrigerantes podem irritá-la, comprometendo a digestão e a absorção dos nutrientes, além de terem baixo valor nutricional. O sal iodado, além de fornecer o iodo, é importante para que a criança se adapte à alimentação da família, porém seu uso deve ser moderado e restrito àquele adicionado às papas salgadas. A criança não deve comer alimentos industrializados, enlatados, embutidos e frituras que contenham sais em excesso, aditivos e conservantes artificiais. As frituras são desnecessárias, especialmente nos primeiros anos de vida. A fonte de lipídeo (gordura) para a criança já está presente naturalmente, no leite, nas fontes proteicas e no óleo vegetal utilizado para o cozimento dos alimentos. O óleo usado para as frituras sofre superaquecimento, liberando radicais livres que são prejudiciais à mucosa intestinal do bebê e, a longo prazo, tem efeitos danosos sobre a saúde. O mel é totalmente contraindicado no primeiro ano de vida pelo risco de contaminação com Clostridium botulinum, que causa botulismo. O consumo de alimentos não nutritivos (ex. refrigerantes, salgadinhos, açúcar, frituras, doces, gelatinas industrializadas, refrescos em pó, temperos prontos, achocolatados e outras guloseimas) está associado à presença de anemia, ao desenvolvimento de excesso de peso e às alergias alimentares. A criança pequena não pode “experimentar” todos os alimentos consumidos pela família, por exemplo, iogurtes industrializados, queijinhos petit suisse, macarrão instantâneo, salgadinhos, refrigerantes, doces, sorvetes, biscoitos recheados, entre outros.
  • Passo 9: Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.
    Os maiores problemas dessa ordem são a contaminação da água e alimentos, durante sua manipulação e preparo, inadequada higiene pessoal e dos utensílios, alimentos mal cozidos e conservação dos alimentos em temperatura inadequada. Os alimentos consumidos pela criança ou utilizados para preparar as suas refeições devem ser guardados em recipientes limpos e secos, em local fresco, tampados e longe do contato de moscas ou outros insetos, animais e poeira. Orienta-se que os alimentos sejam preparados em quantidade suficiente para o momento do consumo.
  • Passo 10: Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar. Oferecendo sua alimantação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a dua aceitação.
    Entre os alimentos saudáveis, oferecer para a criança os de sua maior preferência, em quantidades pequenas e com maior frequência. A criança pode ter o apetite diminuído quando está doente. A prioridade dietética para a criança doente é a manutenção da ingestão adequada de calorias, utilizando alimentos complementares pastosos ou em forma de papas com alta densidade energética. Logo que a criança recupere o apetite pode-se oferecer mais uma refeição extra ao dia, pois no período de convalescença o apetite da criança aumenta para compensar a inapetência da fase aguda da doença.

 

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de
dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica - Ministério da Saúde, Secretaria
de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

Find the latest bookmaker offers available across all uk gambling sites - Bets.Zone - Betting Zone Use our complete list of trusted and reputable operators to see at a glance the best casino, poker, sport and bingo bonuses available online.